ISBN 978-85-60762-19-4

Apresentação

O Seminário de História da Cidade e do Urbanismo teve em Brasília sua décima terceira edição. Bienalmente realizado, em 2014 computam-se 26 anos de existência a partir de sua criação, cuja indicativa deveu-se ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia. Desde então, o SHCU tem se caracterizado por equacionar, divulgar e estimular a construção da historiografia da cidade e do urbanismo no âmbito de diversos programas de pós-graduação que reservam espaço a esses temas. Por esta razão, é aberto às trocas disciplinares, acolhendo contribuições de campos de conhecimentos diversos, entre os quais a História, a Geografia, a Sociologia, a Antropologia, entre outros.

Destaca-se ainda que cada edição do SHCU ofereceu oportunidades importantes para trocas entre os pesquisadores brasileiros e também com outros do exterior. O estreitamento dessas relações colabora para o intercâmbio entre pós-graduandos e pesquisadores, o fomento de pesquisas conjuntas e publicações coletivas, consolidando a historiografia da cidade e do urbanismo e os programas de pós-graduação de universidades brasileiras. Não é ousadia alguma afirmar que no campo da história urbana no Brasil o SHCU é o mais importante fórum de debates, difusão, trocas entre pesquisadores, programas de pós-graduação, graduação e prática profissional. É neste sentido que nos propomos a prosseguir este trabalho, dando-lhe continuidade no XIII SHCU, cujo tema central se expressa no seu título: Tempos e Escalas da Cidade e do Urbanismo.

Eixos Temáticos

Tema Geral: Tempos e Escalas da Cidade e do Urbanismo

A História é narrativa, por meio da qual se apreende a noção temporal. A construção narrativa opõe duas temporalidades, o tempo vivido e o tempo lógico da disciplina. Na tensão entre as duas, encontra-se uma História aberta à ação humana que, independentemente de sua duração, estimule, particularmente no âmbito deste seminário, pensar o urbano. Quanto ao uso da palavra escala, ela pode se referir seja a relações de proporção e dimensão, seja a pontos de vista na apreensão do real. No âmbito da história da cidade e do urbanismo, o termo sugere pelo menos duas escolhas. A primeira se relaciona ao recorte da pesquisa, o que requer posturas epistemológicas e recursos metodológicos a ele apropriados. A segunda concerne às apreensões multifacetadas do objeto historiográfico, que podem ser reforçadas pelo recurso às trocas disciplinares. A euforia inicial dos debates sobre a interdisciplinaridade e multidisciplinaridade deu lugar a posições mais prudentes que, na esfera da história urbana, permitem considerar as especificidades de seus saberes e métodos sem, contudo, se furtar a aportes oriundos de outras disciplinas, de modo a construir seus objetos de pesquisa de maneira mais complexa. A partir das considerações feitas, propõem-se reflexões que abarquem tanto o imaginado quanto o edificado no curso do tempo. As sessões temáticas propostas visam a cingir diversas pesquisas e ao mesmo tempo delimitar possíveis âmbitos de interlocução entre elas, dando continuidade aos propósitos que fundamentaram a criação do Seminário de História da Cidade e do Urbanismo.