Rio de Janeiro

Das Sinfonias ao Samba: Representações Cinematográficas da Metrópole Brasileira

Resumo

O trabalho aborda as representações das cidades através do cinema, e sua atuação na composição de imaginários. São exploradas especialmente as obras cinematográficas que se utilizam da captação de imagens da metrópole em si, partindo das Sinfonias Urbanas do cinema de vanguarda dos anos 1920, passando pelo neorealismo italiano e chegando à cinematografia moderna brasileira. Sobre a cidade de São Paulo e seu imaginário de “Cidade Máquina”, percorrem-se as obras São Paulo Synphonia da Metropole (Adalberto Kemeny e Rudolf Rex Lustig, 1929), Simão o Caolho (Alberto Cavalcanti, 1952), Noite Vazia (Walter Hugo Khouri, 1964) e São Paulo Sociedade Anônima (Luís Sérgio Person, 1965). Já sobre o Rio de Janeiro, “Cidade Samba”, são abordadas as obras Rio 40 Graus (1955) e Rio Zona Norte (1957), ambos de Nelson Pereira dos Santos, Cinco Vezes Favela (Marcos Farias, Miguel Borges, Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade e Leon Hirszman, 1962) e A Grande Cidade (Cacá Diegues, 1966).

 

Abstract

The work examines the representation of cities through film, and its performance in composing imageries. Are especially approached cinematographic works that capture images of the metropolis itself, like the Urban Symphonies of 1920’s avant-garde cinema, Italian neorealism, and finally the Brazilian modern filmmaking. About the city of São Paulo and its imagery of “Machine City”, are presented the movies São Paulo Synphonia da Metropole (Adalberto Kemeny and Rudolf Rex Lustig, 1929), Simão o Caolho (Alberto Cavalcanti, 1952), Noite Vazia (Walter Hugo Khouri, 1964) and São Paulo Sociedade Anônima (Luís Sérgio Person, 1965). About Rio de Janeiro, “Samba City”, are discussed Rio 40 Graus (1955) and Rio Zona Norte (1957), both by Nelson Pereira dos Santos, Cinco Vezes Favela (Marcos Farias, Miguel Borges, Cacá Diegues, Joaquim Pedro de Andrade and Leon Hirszman, 1962) and A Grande Cidade (Cacá Diegues, 1966).

Forma, Imagem e História na classificação tipológica da área do Castelo, na cidade do Rio de Janeiro

Resumo

Considerando o espaço urbano como sendo composto por diferentes elementos que permitem ser agrupados de acordo com suas similaridades e/ou diferenças, ao transpor essa noção para o estudo das edificações e de suas características físicas, tais agrupamentos podem ser relacionados ao termo tipo. Gianfranco Caniggia (1979/1995) define o tipo na arquitetura tanto como uma pré-projeção de um edifício ainda a ser realizado, quanto como uma síntese das características físicas comuns a objetos arquitetônicos já existentes. Este artigo foca-se na dualidade presente no tipo, apresentando um método de classificação tipológica para edificações que incorpora a análise da forma, imagem e história destas arquiteturas, tendo como suporte os conceitos extraídos de autores que trabalham com a decodificação do espaço urbano, tal como Lamas (1993/2010), Lynch (1972), Cullen (1961/2008) e Kostof (1991/1993). A metodologia propõe a criação de um inventário tipológico que apresenta uma versão sintética das características dos edifícios analisados, resultante do processo de decodificação da forma urbana, e que pode vir a ser apropriado no estabelecimento de diretrizes para inserções arquitetônicas contextuais ao seu entorno. A área do Castelo, no Centro da Cidade do Rio de Janeiro, foi escolhida como estudo de caso para a demonstração da metodologia proposta. Primitivo núcleo de ocupação do centro histórico da cidade, o antigo Morro do Castelo foi demolido na década de 1920 criando um amplo vazio urbano, logo contemplado com as remodelações urbanas propostas pelo urbanista francês Alfred Agache (1930). A ocupação do Castelo nas décadas subsequentes resultou numa forma urbana de característica padronização tipológica em suas composições arquitetônicas.

 

Abstract

Considering urban space as a composition of different elements that can be separated into groupings based on their similarities and/or differences, when focusing this analysis on the study of architectural buildings and their physical attributes, these groupings may be associated with the term type. Gianfranco Caniggia (1979/1995) establishes type in architecture as both a pre-projection of a building yet to be designed, and as synthesis of the physical attributes common to buildings already constructed. This paper focuses on this duality of type, presenting a method for typological classification of architectural buildings that incorporates the analysis of said objects form, image and history, supported by concepts extracted from authors whose works focus on urban decoding, such as Lamas (1993/2010), Lynch (1972), Cullen (1961/2008) and Kostof (1991/1993). The attempt of this method is to create a typological inventory that presents a summarized version of the physical characteristics of the analyzed buildings, that is not only the result of the understanding and decoding of urban form, but could also be used to establish directives for architectural insertions that are contextual to their surroundings. The paper presents Castelo, an area in Downtown City of Rio de Janeiro, as case study for this proposed method of typological analysis. Once the original core of occupation of the city’s historic center, the Castelo Hill (Morro do Castelo) was eagerly demolished in the 1920’s, creating an ample urban void soon to be target of the remodeling proposals of French urban designer Alfred Agache (1930). The occupation of Castelo in the following decades resulted in an urban form with a distinct typological pattern in its architectural compositions.