Arte

As cidades, da industrialização à estética relacional

Resumo

Pensar a respeito das cidades atuais requer uma regressão analítica e crítica das reflexões urbanas ocorridas na história. Este trabalho apresenta, de maneira introdutória, um panorama do pensamento urbano, desde a industrialização até as últimas ideologias urbanas do século XX (Internacional Situacionista), que colabore para o entendimento acerca da situação urbana na contemporaneidade. As transformações que ocorreram durante esses séculos, permeadas por diversas ideologias, construíram a complexa situação urbana das cidades atuais. Nos anos 90, Nicolas Bourriaud em seu livro “Estética Relacional” reflete sobre o lugar da arte na sociedade contemporânea e as interferências que o mercado e a cultura de consumo produzem no ambiente social. A diminuição progressiva de espaços de convívio e relação em prol de ambientes de consumo é o contexto onde surge a produção artística que ele denomina de arte relacional. Por mais que sua reflexão esteja voltada para a arte contemporânea, ela é de extrema relevância para o pensamento urbano. Agregar o valor da sensibilidade artística, suas potências sociais e políticas, pode ser de grande importância para a reflexão urbana atual. Nossa pesquisa investiga se e em que medida tais ideias permitiriam uma virada de chave no pensamento e nas práticas urbanísticas, atualizando sua produção para as novas potencialidades da sociedade e da vida contemporânea.

 

Abstract

A contemporary thought on our cities requires a critical and analytical review of the evolution of urban reflexion through history. This paper aims at presenting a panorama of urban thinking, from industrialization to the last urban ideologies of the 20th Century (International Situationist), that would contribute to understanding the urban condition in our time. The transformations that have been taking place over the last centuries, permeated by several ideologies, built up the complex urban situation of our cities. In the 90’s, Nicolas Bourriaud, in his book “Relational Aesthetic”, analyzes the role of art in contemporary societies and the interferences market and consumption culture produce over the social ambiance. The progressive shrinking of spaces of conviviality in favor of consumption places marks the context in which appeared the artistic production he named “relational art”. Although focused on contemporary art, Bourriaud’s insights may be of special importance to the field of urban reflexion, which may gain new value by incorporating artistic sensibility and its social and political powers. Our research investigates if and to what extent such ideas may represent a turning point in the current urban thoughts and praxis.