Território

Nesta sessão temática entende-se o território como noção fundamental, considerado não tanto como uma escala dimensional determinada mas como termo polissêmico que articula relações entre espaços, políticas e identidades. O território envolve apropriação de espaços para estabelecer efetivo domínio, mas também pode se referenciar numa construção simbólica, expressiva de um determinado imaginário temporalmente localizado. Aqui se incluem os trabalhos que discutam os significados do território e os processos sociais e práticas que levam à sua criação, ocupação e transformação.

O território de Goiânia como objeto historiográfico

 

O território de Goiânia como objeto historiográfico

Eixo Temático: Território

O tempo na formação das cidades

 

O tempo na formação das cidades

Eixo temático: Território

Indústria e Urbanização na Região Metropolitana de Fortaleza

 

Indústria e Urbanização na Região Metropolitana de Fortaleza

Eixo Temático: Território

O planejamento territorial do Paraná

 

O planejamento territorial do Paraná

Eixo Temático: Território

O Rio de Janeiro como Território de Luta: as tentativas insurrecionais de José Oiticica e parte da classe operária carioca à consolidação de um imaginário anarquista

Resumo

Este artigo pretende analisar o contexto que favoreceu a realização dos movimentos grevistas do final da década de 1910 no Rio de Janeiro-RJ. A cidade, na visão dos defensores do ideal ácrata, configurava-se como o território ideal para o início da transformação social almejada pelos mesmos. A pesquisa objetiva à reflexão sobre o porquê, na visão de Oiticica e de outros anarquistas, o operariado deveria se rebelar, naquele momento, contra o sistema vigente. Este período entre 1917 e início dos anos 1920, foi marcado por intensa organização e atuação do movimento operário. Tal fato resultou na deflagração de várias greves e também na esperança, por parte dos anarquistas que atuavam nos meios operários, de que seria possível iniciar uma revolução e, assim, alcançar a destruição total do Estado capitalista brasileiro. Motivados pelos problemas que os proletários enfrentavam, entre eles a carestia de vida intensificada pela Primeira Guerra Mundial e a falta de legislação do trabalho, e pelo imaginário construído a partir do sucesso da Revolução Russa, anarquistas e demais militantes da causa operária, lançaram-se na tentativa da emancipação do homem em relação ao capital e transformação do território político nacional daquele contexto. O conflito envolveu práticas sociais e espaciais que caracterizaram um processo, temporalmente localizado, de luta de classes pela construção e consolidação de novos simbolismos tendo como oposição a manutenção das condições e estruturas já estabelecidas.

Abstract

This paper intends to analyze the context that favored the achievement of the late 1910s strike movements in Rio de Janeiro - RJ . The city, in the view of the advocates of anarchist ideal, it configured as the ideal territory to the beginning of the desired social transformation. The research aims to reflect about why, in the view of Oiticica and other anarchists, the working class would revolt at that time against the current system. This period, between 1917 and the early 1920s, was marked by intense organization and activity of the labor movement. This fact resulted in the initiation of various strikes and also in the hope, by the anarchists who were acting in the workers’ environments, that it would be possible to start a revolution and thus achieve the total destruction of the brazilian capitalist State. Motivated by problems that workers faced, including the cost of living intensified by the First World War, and the lack of labor legislation, and the imaginary built from the success of the Russian Revolution, anarchists and other militants workers’ cause, were cast in attempted of man’s emancipation in relation to capital and transformation of the national political territory of that context. The conflict involved social and spatial practices that characterize a process temporally located, of class struggle for the construction and consolidation of new symbolisms, having as opposition the maintenance of the conditions and structures already established.

A agroindústria açucareira e o início do processo de estruturação do Litoral Oriental do Rio Grande do Norte (século XVII)

Resumo

O açúcar foi um dos primeiros produtos econômicos do Brasil e a sua produção, através dos antigos engenhos, foi responsável pela ocupação de boa parte da costa do que hoje definimos territorialmente como Nordeste brasileiro, região onde, ainda hoje, o cultivo da cana e a produção de açúcar possuem relevância econômica. E no Rio Grande do Norte não foi diferente. O surgimento da agroindústria do açúcar no seu território remete ao início do processo de colonização da então Capitania do Rio Grande, com a implantação do primeiro engenho, o Cunhaú, no princípio do século

XVII. Entretanto, o desenvolvimento da produção de açucareira potiguar se deu de forma tardia em comparação com o de outras capitanias do norte, como Paraíba e Pernambuco. Apesar do desejo da coroa portuguesa de expandir a lavoura canavieira, em 1627, passados trinta anos da conquista efetiva da Capitania, as terras do Rio Grande contavam com apenas dois engenhos. Uma série de fatores, como a falta de capital dos colonos, as condições de solo não tão propícias ao desenvolvimento da lavoura de cana-de-açúcar, a precariedade do sistema de transportes e a subordinação à Pernambuco, resultaram em desenvolvimento tardio da agroindústria do açúcar potiguar, que desde o início se inseriu de forma periférica no contexto nacional, assim como a própria economia norte-riograndense em geral. Entretanto, mesmo em pequeno número, os primeiros engenhos tiveram um papel importante no processo de apropriação, ocupação e estruturação da incipiente Capitania do Rio Grande, como veremos ao longo deste artigo.

Palavras-chave: engenho de açúcar, estruturação do território, litoral oriental, Rio Grande do Norte

Abstract

Sugar was one of the first economic products of Brazil and its production, through the old mills, was responsible for the occupation of most of the coast which is territorially defined, today, as the Brazilian Northeast - a region to which cultivation of cane and production of sugar still have economic relevance. And Rio Grande do Norte was no different. The emergence of its territory’s sugar agroindustry refers to the early process of colonization of the Captaincy of Rio Grande, as it was called at the time, with the implementation of the first sugar mill - the Cunhaú, in the early seventeenth century. However, the development of sugar production in Rio Grande do Norte occurred belatedly in comparison with other northern captaincies, as Paraíba and Pernambuco. Despite the Portuguese Crown’s desire to expand sugarcane cultivation, in 1627, after more than thirty years of the effective conquest of the captaincy, the lands of the Rio Grande relied on only two sugar mills. A number of factors, such as lack of capital of the colonists, unfavorable soil conditions to the development of the crop of sugar cane, the precariousness of the transport system and the subordination to Pernambuco resulted in delayed development of the Rio Grande do Norte’s sugar agroindustry, which from the beginning was inserted peripherally in the national context, as well as the economy of Rio Grande do Norte in general. However, even in small quantity, the first sugar mills played an important role in the process of ownership, occupation and structuring of the incipient Captaincy of Rio Grande, as we shall see throughout this paper.

Keywords: sugar mills, territory structuring, eastern seacoast, Rio Grande do Norte

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