Retomando Marshall Berman e a questão da modernidade e da modernização das cidades

Eixo Temático: 

Retomando Marshall Berman e a questão da modernidade e da modernização das cidades

Eixo Temático: Representações

Resumo

Embora muitos autores tenham se debruçado sobre o tema da modernidade e, consequentemente, seu impacto sobre o homem, um dos mais influentes sobre essa questão foi Marshall Berman (2007). Em sua principal obra, “Tudo que é solido desmancha no ar”, Berman analisa como o homem se lança na experiência da modernidade, fazendo forte relação entre o espaço e a sociedade, que dele se serve. Entende-se que neste momento em que sua morte há menos de um ano - setembro de 2013 - aos 71 anos, deixou um enorme vácuo, é oportuno voltar a ele para se continuar pensando nas dimensões da modernização e da modernidade. Este texto não chega a ser uma homenagem, mas pretende contribuir para o seu não esquecimento. Elabora um paralelo entre as ideias de modernização e modernismo, propostas por Berman, e as mesmas nas cidades brasileiras.

Palavras-chave: modernidade, modernização, modernismo, urbanismo, cidade

Abstract

Although many authors has taken up about modernity and consequently his impact about human, one of the most influential on this issue was Marshall Berman (2007). In his lead work, “All that is solid melts into air”. Berman examines how the man pounces on the experience of modernity, making strong relationship between space and society that uses it. Understood that at this moment wherein his death less than a year - September 2013 — he was 71 years old, left a big vacuum, it should go back to him to continue thinking about the dimensions of modernization and modernity. This text isn’t a tribute, but mean to contribute to him don’t to be forgotten. It drawn a parallel between the ideas of modernization and modernism proposed by Berman, and these in Brazilian cities.

Keywords: Modernity, Modernization, Modernism, Urbanism(Town Planning), City

Introdução

A análise de Berman está centrada na ideia de que não se podem separar duas dimensões que fizeram parte das transformações que passaram a ocorrer a partir do século XVIII: a dimensão espiritual, relacionada com a arte e a intelectualização, com os homens e a alma humana, e a dimensão material, representada pelas estruturas e processos políticos, econômicos e sociais, ou seja, entre modernismo e modernização. Separar estas duas dimensões representa, na sua visão, não perceber a fusão e interdependência entre indivíduo e ambiente moderno. Sua análise recai sobre a maneira como os indivíduos dos países do Velho Mundo vivenciaram a modernidade, identificando na literatura as percepções desta fusão. Segundo Berman, os primeiros escritores e pensadores modernos, como Baudelaire, Marx, Stendhal, Carlyle, Dickens, Dostoievski, Goethe, entre outros, tinham a percepção instintiva dessa interdependência

(BERMAN, p. 159) e construíram personagens carregados das contradições e conflitos da modernidade.

No Brasil, a modernidade, representada por pensadores como Joaquim Nabuco, Gilberto Freire, Euclides da Cunha, Paulo Prado, Sergio Buarque de Holanda e outros que inventaram o pensamento moderno no país (CARDOSO, 2013), adquiriu contornos específicos, muito bem analisados por Otília Arantes (1998) e Cabral (2002). Mais do que a dimensão espiritual relacionada ao desenvolvimento do processo de construção do indivíduo moderno, através de uma crescente individualização, buscou-se desenvolver a dimensão material da vida. O desenvolvimento baseado numa perspectiva positivista de construção do novo homem, com o fortalecimento das instituições políticas e educacionais, tendo o trabalho como eixo norteador do indivíduo moderno, marcou o início da modernização brasileira.

A cidade, como receptáculo de seus fatores de desenvolvimento, absorve também sensações que são traduzidas no campo físico-espacial, na arquitetura e no urbanismo. Porém, Lamas (1993, p. 31) afirma que a cidade não é um simples produto determinista dos contextos econômicos, políticos e sociais: é também o resultado de teorias e posições culturais e estéticas dos arquitetos e urbanistas. Isso quer dizer que se formam conjuntos de ideias que têm uma representação social, no campo da arquitetura e do urbanismo, que são capazes de serem trocados e assimilados por grupos diferentes daqueles que os lançaram. Por essa razão, ao se analisar as transferências dessas ideias, é preciso considerar que elas vêm sempre acompanhadas de um caráter representativo do imaginário social, expresso através de Imagens ou Discursos. As formas arquitetônicas ou urbanísticas se introduzem no processo de criação de Imagens, visuais ou mentais, concretas ou imaginadas. Os Discursos, por sua vez, envolvem manifestações pela palavra escrita ou oral dos representantes da sociedade: são discursos técnicos, políticos, jurídicos ou até mesmo literatos. Assim colocado é preciso perseguir nos projetos ou nas obras urbanísticas, o sentido e o significado, que nem sempre estão explícitos, nem na origem das ideias, nem no âmbito de sua influência.

Compreender a cidade moderna e sua inserção no processo de transformação da sociedade capitalista implica em observar as transformações das formas urbanas, relacionando-as sempre a uma representação social. Entendendo que a representação social faz uso dos Discursos e Imagens, que uma sociedade faz de si própria. Essa colocação remete, também, à compreensão da elaboração dos projetos urbanos e sua divulgação, buscando a revelação dos interesses envolvidos. É nesse sentido que se pretende abordar o tema da modernidade, a dimensão material, através das formas arquitetônicas e urbanísticas, e a dimensão espiritual, através das representações sociais.

A modernidade e seus desdobramentos

Uma das preocupações presente entre os propulsores do modernismo está relacionada aos impactos da Revolução Industrial nas cidades. O capitalismo e a Revolução Industrial não geraram situações idênticas em todos os lugares. O mesmo processo que trouxe o desenvolvimento a determinados países e cidades, trouxe a miséria e o subdesenvolvimento a outros, propiciando o desenvolvimento de apenas algumas cidades e setores, distribuindo os benefícios da industrialização somente a uma pequena parcela da população. Gunder Frank (1969), Castells (1973) e outros autores, analisaram com profundidade as diferenças contextuais produzidas pelo capitalismo, entre o primeiro e o terceiro mundo. A burguesia e o proletariado cresceram em ambos, entretanto, de formas diferentes.

Enquanto nos países desenvolvidos acontecia um processo de industrialização decorrente dessa revolução, que atraía a população para trabalhar na cidade, produzindo uma grande urbanização, nos países subdesenvolvidos não houve Revolução Industrial; somente uma industrialização que veio de fora para dentro. Assim, o processo de urbanização foi menos pela atração da indústria, pois antecede a própria indústria e foi mais provocado pela expulsão da população dos campos (SINGER, 1979), que se dirigia à cidade sem nenhuma condição. Nesse sentido é possível encontrar nas principais cidades do Brasil, do início do século XX, uma pequena elite buscando um caminho para a modernização, formando a burguesia e um grande contingente de população, em parte, sem trabalho, sem alojamento, morando em condições sub- humanas, em cortiços, embaixo de pontes, alimentando-se muito mal, com baixos níveis de saúde, espalhando-se por uma cidade cheia de becos, sem saneamento ou infraestrutura, onde a qualidade de vida atingia seus níveis mais ínfimos, que constituía o proletariado, em um quadro de baixo nível de industrialização.

As condições físicas se assemelham ao quadro social da Inglaterra do início do século XIX, ou da França de meados daquele século, ou ainda da Alemanha do final do século, antes, porém, da Revolução Industrial em cada um desses países. Entretanto, à medida que se aproxima o foco do quadro social brasileiro, já se destaca entre os “proletários” um número significativo de ex-escravos. No Brasil a libertação dos escravos, em 1888, e a Proclamação da República, em 1889, ocorreram na mesma época. Por essa razão, a República se apoia na lógica positivista de modernização e passa a ter como preocupação imediata, a dissipação da carga cultural deixada desde os tempos coloniais, e, como projeto, a valorização da cidade, do comércio, dos serviços e da indústria. Essa não era a indústria de transformação do primeiro mundo, inviável diante do quadro político, social e econômico do país, mas indústrias têxteis ou alimentícias, pequenas e domésticas. Sem tecnologia, infraestrutura, e mão de obra especializada, só restava ao Brasil importar. A fatia consumidora da população era praticamente a mesma oligarquia rural, que vinha enriquecendo com a produção e exportação de café e outros produtos, e que desde o último quartel do século XIX, vinha se imiscuindo em outros negócios, como bancos ou na própria indústria.

Essa burguesia emergente imitava a burguesia francesa, e, em menos intensidade, a inglesa, principalmente no que dizia respeito aos costumes, gostos e na criação de novidades. A procura dos Cafés, Confeitarias, Restaurants, Teatros, Cinemas, equipamentos que até então não existiam em proporções significativas, passam a ter um incremento maior, com a aceitação da presença das mulheres, agora circulando pelas ruas, assumindo status de consumidoras. A sociedade celebrava nas ruas recentemente pavimentadas o movimento das lojas, dos escritórios, das faculdades, e das praças ajardinadas, com canteiros simétricos, ao modo dos jardins barrocos franceses, das festas nos coretos ou, simplesmente, do “footing” de moças e rapazes desfrutando essa nova maneira de viver.

Muitas cidades chegaram a realizar até Exposições Industriais, seguindo o exemplo das Grandes Exposições Internacionais, como foi o caso da Exposição de Porto Alegre no início do século XX. Quanto mais intenso o relacionamento com os países europeus, tanto maior o grau de exigência quanto à aproximação do modelo: a elite clamava por melhores acessos, facilidades de transporte na cidade que crescia para além de seus limites coloniais, saneamento de seus becos imundos, enfim, exigia reformas. A intenção era criar uma nova ordem, que afastasse o mundo do crime dos centros das cidades, que impusesse a beleza e a higiene para uma convivência feliz, alcançando a

verdadeira “Modernidade”, a qual Paris propagava, desde que Haussmann havia sido prefeito e a transformou no símbolo de uma época.1

A visão de que a “Belle Époque” pudesse chegar a todos os lugares, certamente, era equivocada, principalmente quanto ao seu aspecto mais profundo, que era o das práticas sociais. As transferências mais fáceis de acontecer estavam no plano formal-estético. O Urbanismo e a Arquitetura podiam contribuir para a configuração de uma nova ordem ou para a imposição de novos comportamentos, mas jamais para mudanças estruturais da sociedade. De qualquer forma, a representação da “Belle Époque” no imaginário coletivo vinha através das imagens de Paris, de sua nova forma imposta por um urbanismo determinante, organizador, o qual mudou radicalmente a cidade medieval, densa, apertada, sem iluminação e suja.

Espaços abertos, rótulas (rond-points) para onde confluem largas avenidas com amplas calçadas (bulevares), arborização e canteiros centrais nas vias públicas, parques públicos de dimensões jamais pensadas, implantados sobre a velha estrutura, criavam uma nova escala de convivência. Por um lado, se ampliavam os espaços e se expandia a área urbana, aproximando os equipamentos de maior importância da cidade, como se fez, por exemplo, com as linhas do Metrô. Por outro, a imagem tão representativa da homogeneidade arquitetônica, característica da época, é quebrada apenas, por alguns exemplares de excelência, como o Teatro da Ópera, o Grand Palais, a Gare D’Orsay, a torre Eiffel, lojas de departamento, entre outros, que se sobressaíram de tal forma, que acabaram por se tornar símbolos da cidade.

Berman (2007), ao pensar sobre a Modernidade, refere-se à experiência de tempo e espaço de si mesmo e dos outros, das possibilidades e perigos da vida — que é compartilhada por todos. Ser moderno é poder vivenciar um ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação e transformação das coisas em redor, mas ao mesmo tempo ameaça destruir tudo o que temos, sabemos e somos (op. cit., p. 24). Assim sendo, a Modernidade para ele, anula todas as fronteiras geográficas e raciais, de classe e nacionalidade, de religião e ideologia (op. cit., p. 24), nesse sentido, poderia se pensar que ela uniria a humanidade. No entanto ela é uma unidade paradoxal, uma unidade de desunidade: ela nos despeja a todos num turbilhão permanente de desintegração e mudança, de luta e contradição, de ambiguidade e angústia (op. cit., p. 24) Por isso, a importância de compreender que as dimensões materiais (formas concretas) e espirituais (Imagens e Discursos), juntas e de forma interdependentes, compõem as transformações que ocorreram no período.

O ponto central, no seu livro, é compreender, a partir da narrativa desenvolvida em diversos textos clássicos da literatura, a grande variedade de movimentos políticos e culturais que homens e mulheres fizeram como forma de participar da modernização que estava ocorrendo em diferentes espaços. Um dos autores no qual Berman sustenta suas ideias é Baudelaire, para o qual era necessário trazer à luz a porção de alma humana ali escondida, poder revelar o coração triste e muitas vezes trágico da cidade moderna (BAUDELAIRE in BERMAN, p.159). Baudelaire mostra como a modernização da cidade, simultaneamente, inspira e força a modernização da alma de seus cidadãos. Esta dimensão é perceptível, segundo Berman, em seu escrito “A perda

1 Nesse sentido ler Walter Benjamin. “Paris, Capital do Século XIX”, Obras Escolhidas, e outros autores que escreveram sobre ele, como Rouanet ou Bolle.

do halo”, no qual Baudelaire trata da confrontação que o ambiente impõe ao sujeito e que termina com a perda da inocência. A partir do diálogo entre um poeta e um homem comum num bordel de Paris, expõe o encontro entre um indivíduo isolado e as forças sociais, abstratas e ameaçadoras. O homem comum sente-se escandalizado ao encontrar o poeta num lugar desses e o poeta tenta explicar que está ali porque no meio do tumulto da rua, deixou cair seu halo num lodaçal de macadame, onde se abria um bulevar, e não quis se arriscar a pegá-lo.

Os bulevares com fluxo intenso e o estabelecimento do comércio não ofereciam segurança aos transeuntes, fazendo com que estes buscassem sua sobrevivência no emaranhado das produções técnicas. O homem moderno arquetípico, como o vemos aqui, é o pedestre lançado no turbilhão do tráfego da cidade moderna, um homem sozinho, lutando contra um aglomerado de massa e energia pesadas, velozes e mortíferas (BERMAN, p.190). Despido do halo, o artista pode andar como um simples mortal e gosta da possibilidade de transforma-se num homem comum. É interessante observar que, ao ocorrer num bulevar,

“a perda do halo” se dá num ponto para o qual convergem o mundo da arte e o mundo comum. É um ponto espiritual e físico, um determinado ponto na paisagem da cidade moderna. É o ponto em que a história da modernização e a história do modernismo se fundem em um só (BERMAN, p. 187).

Berman também estabelece uma relação entre Marx e Baudelaire ao analisar o comportamento típico da classe burguesa em relação às questões econômicas: a burguesia despiu de seu halo toda a atividade humana até aqui honrada e encarada com respeito. Transformou o médico, o advogado, o poeta, o homem da ciência em seus trabalhadores assalariados, analisaria Marx em o Manifesto Comunista. O herói, no caso, o burguês perde o halo na racionalidade do mundo econômico e para Baudelaire, de forma cômica quem o perde é o anti-herói, uma vez que esta perda ocorre na sarjeta, lugar onde as pessoas lutam para sobreviver em meio ao tráfego moderno, é uma nova força que conduz o herói a um novo estado mental. O heroísmo emerge em conflito, nas situações que permeiam a vida cotidiana no mundo moderno: o maravilhoso nos envolve e nos embebe com uma atmosfera, mas não o vemos (op. cit., p. 172).

No espaço físico das grandes cidades, todas as dimensões que permeiam a vida de seus habitantes, toda a produção material e social da vida se torna cada vez mais complexa, desde as relações de troca, de trabalho, de vizinhança, de afetividades, de construção dos saberes, passando pelas relações familiares, chegando a transformar também a própria construção da individualidade. Por isso, investigar essa complexidade que se transformou o espaço urbano requer compreendê-lo como uma realidade global (…) implicando o conjunto de práticas sociais (LEFEBVRE, 1999, p. 53). Contudo, também é necessário compreender essas práticas sociais, como um esforço subjetivo de indivíduos em participar do processo de modernização que transformou as cidades em metrópoles e os levou a encontrar o “seu lugar”, no meio desse aglomerado de gente, massa e energia, como analisa Berman.

Nesse sentido, a forma dada pela Arquitetura e/ou o Urbanismo se transforma num fato social de abrangência bem maior, alcançando significados não explícitos que decorrem da característica simbólica assumida. De acordo com Marx, é através das suas representações que uma classe social exprime suas aspirações, justifica moral e juridicamente os seus objetivos, concebe o passado e imagina o futuro (BAZCKO apud

SOUZA, 2008). É importante, portanto, destacar a visão urbanística desse processo de abstração quando o espaço concreto e a subjetividade são apresentados como dimensões conjuntas da cidade. Assim, na leitura urbanística, é necessário não só perceber a forma, entender seu conteúdo, como associar e desvendar as formas de pensamento que estão por trás de suas representações, (…) é preciso ver forma, conteúdo e pensamento no texto da cidade (SOUZA, 2008, p. 109).

O Urbanismo surgiu como disciplina, dentro de preceitos científicos e técnicos, no final do século XIX. E é nesse sentido que as imagens de transformação das cidades, ideias e teorias começavam a ser transferidas, como um discurso do instrumento regulador, ordenador e embelezador das cidades. Entretanto, como um instrumento “neutro”, dito “científico”, levava consigo as formas de Paris. Muito se falou em criar uma Paris na América, e Buenos Aires se tornou um excelente exemplo. Em algumas partes da cidade, como o entorno da Plaza de Mayo, a sensação de similitude é tão grande, que não é preciso ser estudioso da cidade, para que se evoque a Capital francesa. Não tardou outras capitais surgirem com essas características, como Montevidéu e mais tardiamente, o Rio de Janeiro com a implantação da Avenida Central. Aqui, a intenção era se criar a Paris dos trópicos! Berman diria que a propagação da modernização francesa, nos países subdesenvolvidos, não se dava por transferência do modelo completo, bastava apenas, uma rua ou avenida, aos moldes do bulevar, o que já era suficiente para se efetuar essa representação2.

A busca da cidade moderna no Brasil traz a gênese do urbanismo, no início do século, entre 1902 e 1906, sendo um dos exemplos de realizações mais significativos dessa visão a abertura da Avenida Central (atualmente Avenida Rio Branco), no Rio de Janeiro. A capital tinha que se tornar o símbolo da modernidade. Gilberto Ferrez, assim escreveu:

essa grande artéria, de mar a mar, cortaria todo o miolo insalubre e mais valioso do centro comercial da cidade. Teria que ser assim como os grandes bulevares de Paris. Era uma necessidade saneadora e urbanística que o governo federal resolvera tomar a seu cargo (FERREZ, in FERREZ e SANTOS, 1983, p.25).

Na inauguração da avenida, o presidente Rodrigues Alves, discursou:

Deslocou-se o centro do Brasil da Rua do Ouvidor, via colonial, intransitável para os recentes automóveis e também para os novos hábitos e novas ideias. Ficara superada a Avenida de Mayo, em Buenos Aires. Paris surgia à vista, com a miniatura, embora em começo, de sua Ópera e a cópia de seu bulevar. Estava criado um símbolo nacional, da nova civilização. Abria- se visivelmente, materialmente o caminho do século XX (FERREZ, in FERREZ e SANTOS, 1983, p.25).

Em Porto Alegre, o Plano Geral dos Melhoramentos, de 1914, propôs uma série de avenidas novas, rótulas, parques e equipamentos adequados à nova realidade, orientando a modernização da cidade (SOUZA, 2008). Sua influência subsequente é significativa, chegando a repercutir tanto no âmbito dos Discursos dos intendentes

2 Para uma melhor compreensão do tema, ver o Capítulo IV. Petersburgo: o modernismo do subdesenvolvimento, desenvolvido por Berman.

Montaury e Otávio Rocha (SOUZA in PANIZZI e ROVATTI, 1993), como na propagação das Imagens, pois o plano foi sendo posto em prática ao longo do tempo, servindo como base para os demais planos. Do tripé haussmanniano, transportar, sanear e equipar, o plano Maciel se ocupa fundamentalmente dos dois primeiros itens, aliados à questão da estética da composição (SOUZA, 1995, p. 10). Mais para o final da década de 1930, Edvaldo P. Paiva e Ubatuba de Farias (1938) elaboram um estudo que propõe um sistema de perímetros de irradiação, obra de influência de E. Henard e Prestes Maia, mas que não saiu do papel, assim como ocorreu com o projeto da Porta da Cidade, de Gladosh, muito influenciado pelo plano de Agache, para o Rio de Janeiro .

Embora as imagens produzidas nas cidades brasileiras ficassem muito aquém daquelas produzidas originalmente em Paris, ou mesmo àquela criada posteriormente para o Rio de Janeiro, o que se pretendia era fazer chegar à população a grande cidade desejada, das grandes avenidas, com boa circulação, da cidade bela e plena de progresso. Nesse sentido, as vezes uma só avenida preenchia esse imaginário.

O movimento Modernista no Urbanismo

Se por um lado, as revoluções ocorridas nos séculos XVIII e XIX nos modos de produção, fizeram com que a cidade passasse a ser o principal espaço da ocorrência de conflitos, o lugar no qual as questões sociais se apresentaram com maior incidência e abrangência, por outro, no século XX, o modo de produção fordista estruturou uma nova categoria social: as massas, constituída de trabalhadores da indústria e, mais tarde, dos escritórios. As massas passam a ser um novo grupo social e a ocupar um lugar significativo na sociedade. Geram assim, a necessidade de um ambiente que só uma produção arquitetônica de massa poderia propor. Porém, a ruptura produzida pelo modernismo, que desde o século XIX, já havia se manifestado em outros campos do conhecimento e das artes, na busca do novo, só viria ocorrer efetivamente no campo teórico do Urbanismo e da Arquitetura, a partir das primeiras décadas do século XX. Uma das hipóteses do por que desse atraso em relação às demais manifestações do modernismo, é de que dada as enormes transformações e rupturas ocorridas no século XIX, era necessário que algum elemento muito forte, representativo e identitário para a sociedade, permanecesse para manter pelo menos alguns dos referenciais estruturais. Esse elemento seria a própria arquitetura e a forma da cidade. Não que elas não tivessem sofrido avanços e mudanças, o exemplo da arquitetura do ferro e vidro é suficiente para confirmar essa assertiva, e traduz realmente uma grande mudança, todavia, não uma mudança radical, pois elas, forma e arquitetura, continuavam se associando aos estilos acadêmicos e historicistas.

O exemplo da Estação Ferroviária de Milão é ilustrativo: a plataforma de embarque e desembarque é um pavilhão representativo da nova arquitetura do ferro, enquanto o prédio de acesso do público, vindo da rua, local de venda dos bilhetes apresenta uma arquitetura de estilo neoclássico, tendo o seu interior decorado com pinturas do romantismo, do campo ou das pequenas aldeias, de onde provinham vários dos moradores da cidade. Essas pessoas voltavam constantemente à Estação, em dias de folga, para rever as pinturas, e tudo que pudesse remeter às suas origens. Otília Arantes também aborda esse tema sob outro viés:

revivalismo (na arquitetura) não é apenas uma manifestação nostálgica reagindo à aridez da modernidade técnica, embora, diante do grande romance realista burguês, da pintura ao ar livre e depois o impressionismo, essa volta aos estilos áulicos do

passado por parte da arquitetura pareça muito estranha, no mínimo um descompasso, um retrocesso brutal ou algo do gênero. No entanto, não se pode esquecer que até então a grande arquitetura era a dos monumentos, e o que ela tem de enfrentar com a formação das cidades modernas é o espaço das residências burguesas (…).Essa condição não se trata de um retrocesso estético, mas o que explica é o fato de que a arquitetura tem antes de tudo uma função simbólica (ARANTES, 1998, p. 48-49).

O contexto econômico, social e político vivido entre a I Guerra Mundial (1914-1918) e a II Guerra Mundial (1939-1945) será decisivo para emergir o Movimento Modernista na Arquitetura e no Urbanismo, na Europa. Existia a necessidade de uma reconstrução rápida do patrimônio demolido e de criar condições adequadas de viver nas cidades. O movimento Modernista nesse período foi marcado pela visão histórica de desenvolvimento progressista, cumulativo e seletivo, feito de sínteses e rupturas. As mudanças eram vistas como algo positivo, imperava a busca pelo novo, e o homem era o sujeito da história. Existia uma aposta nas virtualidades emancipatórias da sociedade capitalista emergente.

Na década de 1920 as ideias modernistas, na arquitetura e no urbanismo, se disseminaram com uma grande rapidez, num intenso debate. Apresentam um discurso extremamente transformador da sociedade, calcado nas imagens apresentadas pelo CIAM3, com uma proposta de práticas radicalmente diferentes daquelas utilizadas até então, principalmente quanto ao uso da escala - escala da máquina- e do princípio da tábula rasa , ou seja, da negação da cidade existente propondo tudo novo, além da proposta de um zoneamento rígido de funções que é a própria referência do movimento. O Movimento Modernista introduz uma ruptura radical, através racionalização, da geometrização das vias expressas, perimetrais, viadutos, complexos viários, dos edifícios altos, dos recuos, além do zoneamento de funções e da própria arquitetura moderna. Esse movimento teve uma influência muito forte no Brasil4, tanto pela presença de Le Corbusier no Rio de Janeiro, ainda capital da República, como pela criação de Brasília, representação maior do movimento. Reconhecida em nível mundial, veio a influenciar outros projetos, dentro ou fora do país. Outros exemplos modernistas significativos foram: Chandigarh, capital do Punjab, a cidade de Toulouse Le Mirail, realizada pelo grupo do Team X, composto por Candilis, Josic e Woods.

Diversos autores analisaram o que representou o Movimento Modernista na Arquitetura e no Urbanismo, nessa primeira metade do século XX, principalmente como forma de entender as mudanças que passam a ocorrer nas cidades, especialmente a partir da década de 1970. Para Kopp (1990), as questões abordadas pelo modernismo continuam atuais, senão pelas respostas que fornecia, pelo menos pelas questões que colocava. Os problemas de habitação, de lazer, de transportes, da vida nas cidades, dos antagonismos sociais que se inscrevem no espaço e que foram objeto de reflexão dos arquitetos e urbanistas nos anos 1920 e 1930, continuam sem solução até hoje. Havia uma relação de causa e efeito entre a nova arquitetura (modernista) e as preocupações políticas e

3 Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna.

4 Ver LEME, M. Cristina Urbanismo no Brasil 1895-1965. São Paulo: Fupam, 1999.

sociais, denominadas “progressistas”, uma era a expressão da outra no ambiente: não era apenas constituída de formas depuradas e técnicas contemporâneas, mas de uma forma de participar, no nível da construção do ambiente, na transformação da sociedade (KOPP, 1990, p.14).

Discursos e Imagens do Movimento Modernista no Brasil e em Porto Alegre

No Brasil, modernizar-se significou a condição para a formação da identidade nacional na busca da redenção do passado colonial, marcado pela escravidão e pela questão indigenista, trazida pela República. O marco inicial do Modernismo no Brasil pode ser fixado na chamada “Semana de Arte Moderna” em 1922. O cenário internacional apresentava o mundo “desenvolvido”, particularmente a Europa, parcialmente destruído pela I Guerra. Não havia só a destruição material, mas a erosão de valores e referências anteriores ao grande conflito. O mundo estava por ser refeito e reconstruído. O pensamento modernista carregava a preocupação com a modificação do país e sua inclusão no novo desenho do mundo. Este traço vai condicionar as particularidades do Modernismo no Brasil.

A partir da ascensão de Getúlio Vargas ao poder (1930) uma enorme gama de artistas e intelectuais é convidada a participarem de seu governo. A “modernização pelo alto” promovida no período getulista envolveu figuras expressivas do movimento moderno, tanto no âmbito cultural (Villa-Lobos e Carlos Drummond de Andrade, por exemplo), como na educação. No âmbito da arquitetura e do urbanismo, houve, nesse mesmo período, a ascensão de figuras como Lucio Costa, que assumiu a direção da Escola Nacional de Belas Artes, Afonso E. Reidy, e Carmen Portinho (Aterro do Flamengo), Oscar Niemeyer (Pampulha, BH), entre outros (BICCA e BICCA, 2008). Na época, estes arquitetos mantinham contato intenso com Le Corbusier. Essa geração de arquitetos e urbanistas brasileiros se colocou em posição de destaque e foi responsável por intervenções urbanas e arquitetônicas de conteúdo modernizador. Esse movimento culminou na obra máxima do modernismo brasileiro: Brasília, executada também, no espírito da “Carta de Atenas”, do CIAM, publicada em 1943. O Movimento Modernista no Brasil aliou a técnica com a racionalidade do cálculo econômico empresarial ou do Estado, redundando numa enorme carga simbólica da arquitetura institucional e monumental mais do que social. Brasília, inaugurada em 1960, foi sua expressão máxima, espacializando a separação das classes e do poder, como explicitação da segregação social no país (ARANTES, 1998).

No final da década de 1940, o movimento modernista se propaga em Porto Alegre em decorrência da criação dos cursos de Arquitetura, e de Urbanismo como pós-graduação especializada, e da junção dos dois cursos de Arquitetura, da Escola de Engenharia e do Instituto de Belas Artes, numa Faculdade única, em 1952. A maior referência desse período está no Plano Diretor de 1959, que se situava dentro do movimento modernista, da Carta de Atenas, do qual se extraiu como exemplo, o projeto da Praia de Belas, o novo Centro Administrativo do Estado e as perimetrais, além do reforço das vias radiais e do zoneamento proposto. Uma inovação é a implantação dos índices urbanísticos que determinam a ocupação do solo. A ideia de ruptura nesse momento deixa de ser adaptação, para ser transformação. Transformação física e transformação social. Nesse sentido era uma bandeira ideológica que fazia parte do movimento: a ideia de revolução social. Muitas áreas das cidades brasileiras foram destruídas em nome desse movimento, principalmente seu patrimônio eclético e neoclássico. Vias expressas, grandes espaços públicos, prédios altos realmente mudaram a cidade, quanto à forma e

quanto à imagem. A cidade modernista que se impunha apagava em muito os resquícios de outros tempos. A Belle Epoque brasileira desapareceu, não só da dimensão espiritual, como da dimensão material, que através das suas formas incitava o imaginário e a memória da população. A dimensão física mudou, tornando a cidade um espaço muito diferente do anterior, entretanto, a dimensão social, campo de luta da corrente, não se alterou com esse urbanismo modernista. Nem poderia, já que para uma modificação desse porte não bastariam mudanças físicas. A materialização da cidade vem com as transformações sociais e não será ela que vai provocá-las.

No processo de modernização das cidades, o esforço da urbanização é visto nos Discursos e nas Imagens dos planos, que têm relações muito fortes com as suas ideias originais. Os Discursos representam posições oficiais, sendo pregadas com a força do Estado e passam a ter um alcance muito grande na construção dessa cidade modernizada. Entretanto, considerando que o Urbanismo está mais atrelado ao poder e às classes dominantes, ele pode assumir a forma específica de valorização dos mesmos, se tornando urbanismo de representação do poder (SOUZA e PESAVENTO, 1997). Paiva, ilustre urbanista de Porto Alegre, ao escrever sobre a Urbanística e a Realidade Brasileira, mostrava a oportunidade de manipulação política que os planos urbanísticos podiam provocar. Já dizia ele, na década de 1950:

a característica típica de muitos planos diretores feitos em nosso país é a sua origem política. Muitos prefeitos, em determinado momento, “descobrem” a existência da Urbanística, suas possibilidades demagógicas e sua utilidade como reforço político. Contratam-se planos com o intuito de usá-los como instrumentos para criar ilusões no seio do povo (declarando, por exemplo, que através deles será resolvido o problema das malocas, ou que o nível de vida do povo será melhorado com sua aplicação, etc.) e com finalidades eleitoreiras (PAIVA, 1959, p. 90).

Villaça (In. DÉAK, e SCHIFFER, 1999) observa que, no Brasil, o planejamento urbano ficou muitas vezes no nível do discurso e serviu de fachada ideológica, uma vez que não legitimou as ações concretas do Estado, como ocorreu na Europa e nos EUA, mas, sim, procurou ocultá-las através da construção de diferentes mecanismos de intervenção. Daí as diferentes denominações: Planos de Melhoramento e Embelezamento, Planejamento Urbano e Plano Diretor, Plano Urbanístico, Plano Local e Integrado e, atualmente, novamente como Plano Diretor. Diferentemente da época dos Planos Gerais de Melhoramentos e Embelezamento, quando a classe dominante brasileira com grande hegemonia na sociedade, buscou criar a fisionomia arquitetônica das cidades, ou seja, havia uma proposta urbana para o Brasil, ainda que importando modelos europeus e americanos. O autor analisa que, nas décadas de 1930 e 1940, as transformações no planejamento urbano representaram formas de adaptação do discurso hegemônico à nova realidade urbana problemática (op.cit, p. 198). É nesse período que se inicia o que Villaça chama da ideologia do planejamento científico para resolver os problemas urbanos. É o que se chama de urbanismo modernista. A ideologia das classes dominantes no tocante ao planejamento urbano se fundamenta nos princípios da razão, da ciência e do Estado (op.cit., p. 184). Esse Discurso está presente até os dias atuais.

Para refletir…

Depois do moderno, do modernista, do contemporâneo, qual será o próximo movimento? No futuro, outro movimento poderia vir para apagar os rastros do Movimento Modernista? Talvez pela consciência que se adquiriu por toda essa passagem, pode ser que ao abordar o planejamento da cidade, se pense melhor ao selecionar o que se deve demolir e o que deve realmente ficar. Ao se transpor para esse artigo as ideias de Marshall Berman sobre a questão da modernidade, vieram junto outros derivados dessa palavra, como moderno, modernização e modernismo, que certamente confunde o leitor, até aquele mais atento. A modernidade que é um processo pela qual passa a sociedade, após a Revolução Industrial, traz consigo a ideia do homem moderno, que vive num meio cada vez mais urbano. Não se trata da cidade barroca, anteriormente em voga, mas sim, de uma cidade que passou por um turbilhão de mudanças, sofreu cirurgias para abrir caminhos para os veículos a motor, bondes e os metrôs; para criar praças e parques, para implantar redes de saneamento à altura do momento, água, esgoto, pavimentação e facilidades para ir e vir, trabalhar e se divertir, comprar e vender, e ter equipamentos, os mais atualizados possíveis como hospitais, escolas e outros prédios públicos. A modernização exige a mudança física na cidade em decorrência de um avanço tecnológico ou científico e social.

Em relação ao modernismo em arquitetura, palavra sobre a qual até bem pouco tempo não havia dúvida, por tratar-se da Corrente Racionalista ou Funcionalista, ou como quer Choay, Progressista, com suas características já expostas nesse texto, é vista agora, com certa desconfiança. A ruptura das artes que conduziu ao modernismo, no século XIX; não inclui a arquitetura que nesse período, embora modernizante, não era chamada de moderna e sim era definida por seus estilos, neoclássico, eclético, historicista. Ela, só vai ser chamada de modernista no século XX, em razão da sua grande ruptura com o passado. Ela estaria se aproximando assim, das outras grandes rupturas, embora tardiamente.

Hoje o termo modernismo vem sendo criticado, por trazer outros sentidos, uma vez que o sufixo ‘ismo’ pode levar a outra conotação, a qual não se queira. De qualquer forma, na modernidade, os movimentos são resultado da modernização das cidades, e as marcaram com suas características, diferentes a cada tempo e da modernização do pensamento, que se trata do modernismo a que se refere Berman. Diferentes em escala, diferentes na forma e diferentes na especificidade.

Dentro da crítica colocada, fica a questão: é possível, ao mostrar o que Berman chama de modernismo, concluir que a corrente progressista do urbanismo não pode ser chamada de corrente modernista ou, sim, corresponde a esta denominação? Se o Movimento Modernista atualmente tem novas conotações, é importante deixar claro que ainda se trata do Movimento Racionalista Funcionalista, ou Progressista. Mas o mais importante é que esse movimento é derivado da busca da modernidade para a sociedade e da modernização radical para as cidades.

O que reforça essa questão está justamente no início das ideias de Berman. O próprio título de sua obra, dito pela primeira vez por Marx, sugere a resposta: “tudo que é sólido desmancha no ar”. A modernidade esteve e está sempre se reinventando, sendo a premissa da transformação, tanto espiritual e intelectual, quanto a material, o eixo que norteia sua existência e permanência. Essa é a unidade paradoxal, presente na modernidade que gera tanto a modernização como o modernismo, confirmando a sua indissociabilidade.

Talvez a condição humana que marca profundamente o espaço urbano e que o conduz a permanentes transformações seja o que esclarece a modernização, norteada pelo espírito modernista. Nesse sentido, seremos sempre modernos.

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Como Citar

Celia Ferraz de Souza; Clara Natalia Steigleder . Retomando Marshall Berman e a questão da modernidade e da modernização das cidades. In: PEIXOTO, Elane Ribeiro; DERNTL, Maria Fernanda; PALAZZO, Pedro Paulo; TREVISAN, Ricardo (Orgs.) Tempos e escalas da cidade e do urbanismo: Anais do XIII Seminário de História da Cidade e do Urbanismo. Brasília, DF: Universidade Brasília- Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, 2014 . Disponível em: http://www.shcu2014.com.br/content/retomando-marshall-berman-e-questao-da-modernidade-e-da-modernizacao-das-cidades