Na cidade, uma rua

Eixo Temático: 

 

Resumo

Este trabalho estuda Goiânia a partir de seus bairros. Visa elaborar uma versão de sua história mesclando aspectos arquitetônicos, urbanísticos e antropológicos. Essa abordagem se sustenta pelo entendimento da cidade como forma e conteúdo, como artefato ou obra de arte, desdobrada em lugar de vivências e de sentimentos, em ininterrupta interação. Portanto, aos aspectos morfológicos da cidade, sobrepõe-se o reconhecimento das relações que a moldam. Objetivando privilegiar o cotidiano, elegemos como interesse da pesquisa a principal avenida da cidade, a Av. Goiás. Eixo cívico da cidade que interliga o Palácio das Esmeraldas, sede do governo estadual, à antiga estação de trem da Estrada de Ferro Goiás, essa avenida foi traçada no sentido Norte-Sul, à semelhança de um Cardus Maximum. De antigo lugar de footing a espaço ocupado pelas grandes manifestações políticas, a história dessa rua, de suas modificações morfológicas e de sua ocupação, traduz o dia a dia da capital de Goiás ao longo de seus oitenta anos.

 

Abstract

This paper analyses the city of Goiânia, capital of Goiás State, through its neighbourhoods, seeking to formulate a version of its history that blends architectural, urban, historical, and anthropological aspects. Underlying this approach is the concept of city as form and content, as an artefact or work of art that unfolds itself as a place of experiences and feelings, in an everlasting interaction. The city’s morphological aspects, therefore, are superimposed by an awareness of the relations which shape it. To privilege daily life, this study elected Avenida Goiás, Goiânia’s main avenue, as the object of analysis. The avenue, which stands as the city’s civic axis linking Palácio das Esmeraldas, home to the state government, and the old train station of Estrada de Ferro Goiás, was designed following a north-south orientation, similarly to a Cardus Maximum. From its former status as a place for footing to its current backdrop for massive political manifestations, this street, in its morphological changes and occupation, offers a particular view of Goiânia’s daily life in the past 80 years.

 

A rua

Spiro Kostof (1992) afirma, em City assembled, que a história da rua está ainda para ser contada quer como forma quer como instituição. O autor esclarece que essas dimensões indissociáveis inspiram questões específicas. No correspondente à forma, lembra-nos de que a rua constitui-se, em geral, de um leito carroçável, de calçadas e de edifícios que a margeiam em ambos os lados; lembra-nos também de que uma rua se articula a outras, como é pavimentada, como são suas calçadas, arborização e regularidade, se é curva ou reta, aspectos todos relativos a sua morfologia. Ainda em termos de forma, ao se considerar os tipos de edifícios, as ruas podem ser classificadas e diferenciadas. Nesse sentido, Kostof aponta as ruas cobertas, as aleias, os bulevares, entre outras. Paralelamente ao aspecto formal da rua, nosso autor

salienta sua natureza institucional, sua função econômica e seu significado. Em suas palavras, a história da rua implica a compreensão do conteúdo e do continente:

The purposes of the street tradiditionally have been traffic, the Exchange of goods, and social exchange and communication. All three are inseparably related to the form of the street — the material ways in which these activities are housed and hosted by the street structure. The street, in Joseph Rykwert’s phrase, is human movement institutionalized — and human intercourse institutionalized. In this way, therefore, the history of the street is about both container and content. If the correspondence of the two cannot be perfectly synchronic, it is because the frame of the street is more permanent than the uses made of it. (KOSTOF, 1992, p. 189).

Detivemo-nos neste autor, citando-o tão longamente, porque nossa ambição, ao tratarmos da rua mais importante de Goiânia, é, na medida das nossas possibilidades, superar a ingênua cisão entre forma e conteúdo, objeto de sua crítica. Como arquitetas e urbanistas, nossa formação tende a privilegiar a primeira parte desse duo, isso porque nossos olhos são treinados para perceber larguras, comprimentos, volume, texturas, cores, formas, luzes, sombras — o sentido da visão está sempre mais alerta e sensível às solicitações e estímulos captados na cidade. Alguém pode contra- argumentar que essa supersensibilidade da visão não é atributo específico dos arquitetos, mas de todo homem pós-renascentista, considerando que a invenção da perspectiva e da imprensa definitivamente alterou nossa forma de perceber o mundo. Seremos obrigadas a concordar, todavia esclarecemos que aos arquitetos ensina-se a perceber os detalhes. Ora, constatar esta peculiaridade de nossa formação não implica necessariamente um sinal de distinção galhardamente exibida. Muito pelo contrário, pode tornar-nos míopes diante daquilo que João do Rio identificou como a “alma encantadora das ruas”. Talvez sejam os poetas, os cronistas, enfim os homens das letras, aqueles mais aptos a perceber o “conteúdo das ruas”. Os exemplos são vários: Baudelaire e Poe são lembrados por João do Rio, o flâneur par excelence que melhor observou o Rio de Janeiro:

Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem. Flanar é ir por aí, de manhã, de dia, à noite, meter-se nas rodas da população, admirar o menino da gaitinha ali à esquina, seguir com os garotos o lutador do Cassino vestido de turco, gozar nas praças os ajustamentos de fronte das lanternas mágicas, conversar com os cantores de modinha das alfurjas da Saúde, depois de ter ouvido dilettanti de casaca aplaudirem o maior tenor lírico […]; é ver os bonecos pintados a giz nos muros das casa, após ter acompanhado um pintor afamado até sua grande tela paga pelo Estado; é estar sem fazer nada e achar absolutamente necessário ir até um sítio lôbrego, para deixar de lá ir, levado pela primeira impressão, por um dito que faz sorrir, um perfil que interessa, um par jovem cujo riso de amor causa inveja […]. (RIO, 1997, p. 50-51).

A forma e o conteúdo como compreensão mais complexa da rua passaram a ser nosso objetivo e nos orientaram para realizar uma primeira aproximação “etnográfica” da Av. Goiás. Antes, porém, de nos ocuparmos em descrever o que pudemos observar nesta importante rua de Goiânia, nos lembremos da significação do termo avenida, que anuncia suas inseparáveis dimensões.

Choay (MERLIN; CHOAY, 2005) explica que avenida deriva do particípio passado do verbo francês avenir, originário do latino advenire. O termo serve para designar, no sentido próprio e no figurado, um caminho que nos leva a um destino, por extensão, depois a uma aleia de árvores conduzindo a um castelo e enfim a uma larga via urbana arborizada. Nas palavras da historiadora das formas urbanas:

Nesta acepção, a avenida objeto da arte dos parques e jardins (cf. Laugier, Patte) é uma criação da idade clássica (Versalhes, por exemplo) que acolhe a circulação das carroças, os desfiles militares, as festas urbanas e encontra-se conotada por esse aparato.

Esta tradição de prestígio foi prosseguida pelo urbanismo do século XIX. É ilustrada na França por Paris de Haussmann, que criou “sistemas” de avenidas, em torno de ronds-points, e tornou as avenidas da Impératrice (hoje avenida Foch) e dos Champs-Élysées modelos copiados no mundo inteiro. No continente americano, as avenidas, por oposição às ruas, são simplesmente as vias maiores de uma forma de loteamento regular e ortogonal. A cidade de Nova York comporta avenidas paralelas, orientadas norte-sul e cortadas por um sistema de ruas perpendiculares numeradas de sul para norte. (MERLIN; CHOAY, 2005, p. 103-104).1

Diante das explicações de Choay para o termo avenida, observamos que a Avenida Goiás foi concebida nos moldes do urbanismo francês. Attílio Correa Lima, seu projetista, foi aluno do Instituto Francês de Urbanismo, onde concluiu sua graduação como urbanista. A importância formal da Av. Goiás e dos elementos que a compuseram — a extensão, a largura, os jardins, as árvores, os passeios, o coreto e o relógio — alinham-se à tradição dos desenhos de cidade que caracterizaram os ensinamentos dessa instituição. De fato, a Avenida Goiás conduz a um “palácio”, não o daqueles dos reis absolutistas, mas a do estado laico, que se esforçava em pleno século XX para avançar a ocupação do interior do Brasil, no desafio de integração de um país continental.

Goiânia, um bairro, uma rua

Para a construção de Goiânia confluíram os interesses de Getúlio Vargas, manifesto na Marcha para o Oeste, e o das elites econômicas e políticas locais, representadas pelo interventor do Estado, o médico Pedro Ludovico Teixeira. A cidade projetada pelo urbanista Attílio Corrêa Lima, em princípios da década de 1930, abarcava os setores Central e Norte e os esboços das áreas residenciais ao sul e a oeste. Posteriormente, o plano inicial de Goiânia foi alterado por Armando de Godoi (1935) e pela equipe técnica do Estado (1947).

1 Tradução livre de Elane Ribeiro Peixoto.

O traçado do Setor Central, segundo Attílio Correa Lima, adota o “partido clássico de Versailles, Carlsruhe e Washington, pelo aspecto monumental e nobre, como merece a capital do grande Estado (evidentemente guardando as devidas proporções)” (LIMA apud MANSO, 2001, p. 99). A opção do urbanista não excluía a suavização do aspecto monumental com a utilização de generosa arborização nas vias que convergem para o centro administrativo. A monumentalidade mesclou-se ao pitoresco, advindo da cidade-jardim. Embora suavizada, a monumentalidade da estrutura central da cidade permaneceu manifesta na largura das três avenidas principais que a constituem e no seu desenho radiocêntrico. Essa geometria era um recurso para oferecer perspectivas marcantes a partir do centro administrativo e cívico da nova capital. Reforça esse efeito a regularidade formal e construtiva do conjunto arquitetônico proposto para a cidade. A partir do desenho em pate d’oie, o traçado de Goiânia compreendia uma malha ortogonal, com ruas internas às quadras comerciais e algumas praças. O zoneamento da cidade foi pensado em detalhe, incluindo suas áreas verdes. Foram propostos a arborização das ruas, alguns parques e parkways – previstas ao longo do Córrego Botafogo –, além dos limites urbanos demarcados por um cinturão verde no plano de Godói, no qual a cidade deveria expandir-se por meio de satélites.

Entre as principais avenidas da cidade destaca-se a Avenida Pedro Ludovico, a atual Avenida Goiás. Constituía e ainda constitui o eixo monumental que conectava o centro cívico e administrativo da capital do Estado à Estação Ferroviária. Simbolicamente, efetivava a ligação entre o “dentro” e o “fora”, entre o poder local e o mundo exterior. Sobretudo, concretizava a inserção da modernidade, pela possibilidade de circulação e de fluxos entre o comércio (via ferrovia) e o Estado, como defendiam os sansimonianos na Paris do século XIX (PICON, 2001). Correa Lima justificava as dimensões da avenida por suas atribuições: “[…] pela sua largura excepcional e pelo seu aspecto luxuoso, prestar-se-á para as demonstrações e festas cívicas” (LIMA apud MANSO, 2001, p.113).

Sua dimensão causava estranhamento aos moradores da cidade, acostumados às ruas acanhadas de pedras da antiga capital, a cidade de Goiás. Todavia, em virtude do tratamento paisagístico, a avenida assemelhava-se a uma alameda, propícia ao footing da população goianiense, assim pensava seu urbanista.

Inicialmente, a avenida caracterizou-se por meio de uma ocupação de usos diversos: residencial, comercial, prestação de serviços e industrial. Essa ocupação propiciou variadas construções, a começar por uma das primeiras de Goiânia, o Grande Hotel. O cruzamento da Av. Goiás, o eixo Norte-Sul da cidade, com a Avenida Anhanguera, seu eixo Leste-Oeste, era considerado, pelo autor do projeto, como a área mais central da cidade, onde se implantaria o comércio. Na Av. Goiás, abaixo da Av. Paranaíba, no setor Norte, mesclavam-se o comércio, a indústria e as habitações destinadas aos trabalhadores. Esses usos constituíram um dado importante na formação da paisagem de Goiânia.

A forma urbana deveria expressar a imagem de modernidade pretendida para Goiás e imputada a Goiânia. Era objetivo do Setor Central espelhá-la, pois a nova capital seria conhecida por meio de sua materialidade. A construção dos edifícios administrativos, do hotel e das casas para funcionários do Estado, coordenada pelo poder público, confirmava essa intenção pela adoção de linguagens arquitetônicas inovadoras, como o ecletismo, o neocolonial e o art déco. E por suas soluções técnicas, eram edifícios

de alvenaria e não mais de adobe ou taipa. Do mesmo modo, os construtores locais compartilhavam esse gosto e também o reproduziam, apesar das dificuldades e limitações. Ao lado da imagem “moderna” das construções e das ruas distintas por números, elaboravam-se outras, mesclando-as às vivências da terra, exemplo dado pelos nomes das avenidas da cidade em lembrança aos grandes rios de Goiás — Araguaia, Tocantins e Paranaíba.

As primeiras imagens oficiais da cidade mostram a abertura da Avenida Goiás como um rasgo no chão em pleno sertão, sem pessoas, sem apropriação. Ao mesmo tempo, apresentam o Grande Hotel em construção como um esqueleto vazio, sem entranhas (Fig. 1 e 2).

Fig. 1 e 2. Implantação do Plano de Attílio C. Lima, Avenida Goiás e Grande Hotel, década de 1930. Fonte: SEPLAM.

Nos anos 1940, os canteiros da avenida são mostrados, mas ainda como paisagem congelada. Há muitos lotes vazios e não se mostravam pessoas (Fig. 3 e 4).

Fig. 3 e 4. Avenida Goiás, década de 1940. Fonte: SEPLAM.

Se nos anos 1930 e 1940 o setor Central de Goiânia era um canteiro de obras, na década de 1950 seus contornos são mais nítidos e sua forma é mais facilmente percebida através das fotografias de Hélio de Oliveira (2008). As árvores ganharam um bom porte, as ruas estavam calçadas, vários eram os edifícios construídos e as pessoas circulavam pela cidade. Bicicletas, carros, caminhões, carroças, jardineiras e pessoas dividiam os espaços urbanos num movimento contínuo característico de cidades relevantes, em termos de tamanho e de dinâmica (Fig. 5 e 6). Engraxates atendem seus clientes na rua, mulheres conversam na calçada, homens engravatados transitam apressados, há guardas de trânsito sob as sombrinhas. A cidade pulsa. Os pioneiros apontam os footings domingueiros, em que as moças e os rapazes buscavam sua alma gêmea num incessante subir e descer nas calçadas da grande alameda. O

jornal Folha de Goyaz, de 27 de março de 1958, comenta sobre os footings nos finais de semana e pede a proibição de trânsito de veículos nas avenidas Goiás e Anhanguera em determinado período noturno, para favorecer o passeio do grande número de pessoas.

Fig. 5 e 6. Avenida Goiás, década de 1950. Fonte: OLIVEIRA, 2008.

Nesta época, Goiânia poderia ser considerada um polo na região Centro-Oeste, especificamente no que concerne às atividades agropecuárias. Seu centro comercial acolhia diversas atividades e oferecia variados serviços, como os bancários e outros voltados ao lazer e à cultura.

Na década de 1960, o centro da cidade adensou-se, em virtude da verticalização de edifícios consentida pelo poder público, justificada pela demanda de habitação e pela oportunidade de bons negócios imobiliários. Todavia, a concentração das atividades comerciais e dos serviços manteve-se e atraía cotidianamente a população residente em outros bairros da capital. A arquitetura moderna encontrava seu lugar, especialmente entre os edifícios institucionais, habitacionais e comerciais, construídos na Av. Goiás. São exemplos dessa época a sede do INSS, projeto de Eurico Calixto Godoi, e a sede do Banco do Estado de Goiás, de Elder Rocha Lima.

Cada vez mais, Goiânia aproximava-se de uma metrópole. A nova condição implicava alterações nas relações sociais e pessoais, como atesta o Jornal 4º Poder (1964, p. 3): “Problemas da cidade que se agravam dia-a-dia: pontos e engarrafamentos”. Esta notícia discorre sobre a dificuldade em estacionar os carros no centro da cidade, por causa da quantidade de pontos de carros de aluguel, bem como sobre o congestionamento em horas particulares do dia, equiparando Goiânia às metrópoles brasileiras.

Nos anos 1970, investiu-se em transporte coletivo. O modelo adotado em Goiânia era o de Curitiba. Foi implantado um sistema integrado de transportes que possibilitava, ao morador das cidades próximas e dos bairros mais distantes, o deslocamento para o centro da cidade utilizando uma única passagem de ônibus. O centro popularizou-se e, concomitantemente, a população de maior poder aquisitivo mudou-se para outros bairros. O comércio alterou-se e, nos anos seguintes, o de luxo transferiu-se para os shoppings centers. O modelo de Curitiba não se limitou ao sistema de transporte, ele provocou uma alteração radical na Av. Goiás, seus canteiros centrais desapareceram, dando lugar a um calçadão. Criaram-se faixas exclusivas para a circulação dos ônibus, que ladeavam o calçadão central, os edifícios em altura se multiplicam e, cada vez mais, a rua foi preenchida pelas pessoas que nela trabalhavam, moravam e passeavam (Fig. 7 e 8).

Fig. 7 e 8. Canteiro central da Avenida Goiás e verticalização, final da década de 1970. Fonte: SEPLAM.

A partir da década de 1980, simultaneamente à metropolização da cidade, a progressiva popularização do centro avançou com as alterações de usos e o desaparecimento de serviços significativos para a cidade. Entre eles, podem-se citar o lazer oferecido pelos cinemas e restaurantes, a presença dos bons hotéis e lojas tradicionais, o abandono de um importante clube social — o Jóquei Clube de Goiás.

Nos anos 1990, os camelôs elegeram a Av. Goiás como seu local de comércio, pois seu calçadão central era perfeito para abrigar suas barracas. As bancas perfiladas exigem proteção e logo lonas de plástico azul são estendidas como cobertura, nos lembrando um mar artificial. Por anos, a população transitou no labirinto das barracas comprando relógios, óculos e pilhas do Paraguai. Essa situação, quando percebida e avaliada, motivou sucessivas tentativas de recuperação do centro da cidade, vinculando-o a sua proposta inicial. Porém, a maior parte dessas iniciativas se resumiu a projetos de requalificação urbana inconclusos. O Setor Central foi ocupado pelo comércio popular dos camelôs, pelas lojas de R$ 1,99 e, principalmente, por uma população oscilante, que nele transita somente durante o dia.

Nos anos 2000, algumas ações conseguiram recuperar, em termos, a esperança de restituir mais importância ao centro histórico da cidade e de sua principal avenida. Na prefeitura da cidade, institui-se o GECENTRO, um grupo de profissionais de diversas áreas reunidos para pensar e programar ações para a região central. Entre as ações implementadas estava a realização de um concurso público, organizado para a recuperação da Av. Goiás. O projeto vencedor, do arquiteto Jesus Cheregatti, buscou, com acerto, recompor uma feição mais próxima à avenida de outrora, em que os novos canteiros centrais, a presença de bancos, o desenho de qualidade da pavimentação e as sombras de caramanchões propiciaram usos diversos por quem transita pela avenida.

Nesse mesmo contexto, surgiram outras ações pontuais que visavam estimular a ocupação do centro pela população de toda cidade. A inauguração do Centro de Referência e Memória no Grande Hotel, acompanhada dos shows de chorinho às sextas-feiras, e a recuperação do tradicional Cine Ouro, com espetáculos teatrais e musicais, além do tombamento pelo IPHAN dos edifícios art déco e do projeto urbanístico do centro da cidade em 2003, são exemplos a serem lembrados. Porém nem todos foram bem-sucedidos.

Os planos e as tentativas de requalificar o centro de Goiânia não param. A Av. Goiás permanece com um importante significado para a cidade. Os projetos de mobilidade urbana, com propostas de implantação de metrô ou veículo leve sobre trilhos, incluem

a avenida. Além da sua importância histórica e estratégica, percebe-se nitidamente sua relevância afetiva. São milhares de pessoas que diariamente por ali transitam, numa mistura confusa com carro e ônibus. É um lugar carregado de sentido, transparecendo o caráter relacional da cidade. A Av. Goiás é um recorte para observar a cidade em processo e suas práticas urbanas.

Etnografia urbana: a cidade vivida

João do Rio (1997, p. 28-29), nas suas flaneries pelo Rio de Janeiro do início do século XX, dizia: “[…] eu amo a rua. […] a rua é um fator da vida das cidades, a rua tem alma!”. A sua declaração de amor às ruas vinha da riqueza de sua apropriação: a rua se torna honesta, ambígua, infame e muitos outros adjetivos, pois incorpora a ação humana. Em conformidade com essa postura, aproximando-se da inclinação etnográfica (O’DONNELL, 2008) de João do Rio, optamos por verificar como a Av. Goiás nos permite reconhecer a cidade.

A opção etnográfica favorece a aproximação com o cotidiano e, simultaneamente, com aqueles que experimentam a cidade, tornando-os praticantes ordinários, como os definiu De Certeau (1994). Da mesma forma, a pesquisa avizinha-se de Michel Agier (2011), que nos seus estudos de antropologia urbana entende a cidade não como uma abstração teórica, mas como relacional e situacional, uma cidade viva: “a cidade já não é considerada ‘uma coisa’ que eu possa ver nem ‘um objeto’ que eu possa apreender como totalidade. Ela transforma-se num todo decomposto, um holograma perceptível, ‘apreensível’ e vivido em situação” (AGIER, 2011, p. 38). A compreensão desses autores nos permite a adoção da etnografia urbana como uma estratégia de pesquisa, objetivando descrições densas, como sugere Geertz (1989), e reconhecendo as apropriações sensíveis da cidade, neste caso, particularmente, de uma rua.

Diante da postura multidisciplinar, os procedimentos metodológicos estendem-se pelas fases da pesquisa: na sua concepção, realização e conclusão. Na concepção, tornou-se fundamental o conhecimento da avenida, por meio de revisões bibliográficas e de rastreamento de informações primárias no arquivo histórico da cidade. Durante os trabalhos de campo, realizados em horários e dias diferentes, efetuamos observações e registros in loco, em blocos de anotações, fotografias, desenhos das atividades da rua e conversas com as pessoas. Na fase de conclusão do trabalho, analisamos o material, desenhamos o necessário e produzimos artigos e relatórios.

Atualmente, a Avenida Goiás é ocupada distintamente em dois momentos: os dias da semana e os finais de semana: os dias da semana, de segunda a sábado pela manhã, e o final de semana, do sábado à tarde ao domingo. A distinção deve-se ao fluxo de pessoas decorrente dos usos dos edifícios lindeiros à rua, que funcionam, na sua maioria, em horário comercial, gerando grande movimentação durante a semana e quase nenhuma nos finais de semana. Os poucos edifícios habitacionais da Av. Goiás são insuficientes para gerar movimentos significativos aos domingos. As calçadas e bancos estão sempre vazios, as portas do comércio fechadas, um ou outro carro ou ônibus circula e poucos são os transeuntes. O ritmo da avenida modifica-se, o zunzum frenético que a anima durante a semana é substituído por um silêncio de cidade do interior, com sua típica lentidão. A exceção refere-se à parte mais ao norte da avenida, próxima à Praça do Trabalhador, quando aos domingos pela manhã ocorre a Feira Hippie, grande feira de produtos variados, principalmente roupas fabricadas em

confecções de fundo de quintal, misturadas aos indefectíveis produtos da Rua 25 de Março de São Paulo.

No decorrer da semana, a ocupação espacial da rua divide-se em “faixas”, com características específicas de apropriação. A primeira faixa compreende o espaço entre a Praça Cívica e a Rua 2, onde estão os edifícios de instituições públicas, comerciais, de escritórios, bancos, casas de empréstimo e residenciais. Nela, constatamos a existência de um elemento característico e recorrente em toda sua extensão: o quiosque. Não foram objetos previstos no plano original da cidade, mas tornaram-se parte da paisagem urbana. São feitos de chapas metálicas, à semelhança de contêineres, possuem as instalações necessárias ao funcionamento da atividade que lhe são correspondentes. As dimensões, cores e formas são variadas. Os quiosques localizam-se nas calçadas e oferecem serviços diversos, como vendas de lanches, caldo de cana, revistas, jornais e fotografias para documentos. Esse último serviço, a cargo de lambe-lambe, tornou-se muito útil (Fig. 9 e 10). A Secretaria do Trabalho, situada nesta parte da avenida, demanda as famosas fotografias 3x4 para os documentos. Em outros tempos, elas eram retocadas com o grafite de um lápis. O preço acessível e a facilidade oferecida pela proximidade mantêm os fotógrafos ocupados durante boa parte do dia. Hoje, o trabalho de alguns lambe-lambes modernizou-se, e as velhas câmaras foram substituídas por máquinas digitais e impressoras a jato de tinta. Ainda assim, a cabine do velho fotógrafo no meio da calçada é a intersecção entre passado e presente.

Fig. 9 e 10. Avenida Goiás, quiosques. Fonte: Acervo da Pesquisa, 2012.

Apesar de todos os usos, o movimento de pessoas nessa parcela da avenida não é muito significativo. Nos canteiros centrais, sob as pérgolas ou árvores, é fácil encontrar pessoas sentadas nos bancos, envolvidas em conversas animadas ou simplesmente vendo o movimento. A exceção ocorre no canteiro fronteiriço à Praça Cívica, onde está o relógio art déco, que se ergue solene em meio a um espelho d’água. Ali as pessoas não permanecem. O pedestal do relógio, um dos símbolos da cidade, foi colocado no final da década de 1930 e inaugurado no batismo cultural em 1942. De acordo com o jornal O Popular de setembro de 1999, o aparelho foi fabricado por uma empresa paulista com tecnologia italiana, funcionou precariamente até sua primeira restauração, em 1984. De lá para cá, percebe-se o esforço em preservá-lo — a construção e a máquina. Podemos destacar as alterações no espelho d’água que o cerca e a iluminação que buscou valorizá-lo (Fig. 11 e 12).

Fig.11 e 12. Relógio e bancos do canteiro central da Av. Goiás. Foto: Acervo da Pesquisa, 2012.

A segunda faixa de ocupação da Av. Goiás localiza-se entre a Rua 2 e a Rua 3, transversais à avenida, que conta com um bom número de estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, contribuindo para o aumento do fluxo de pedestres.Trata-se de um trecho da avenida com alguns edifícios art déco remanescentes do período inicial da cidade e outros de aspecto moderno com mais de dez pavimentos, resultantes da expansão imobiliária dos anos de 1960. Ao contrário da faixa anterior, nesse trecho, as financeiras ou casas de empréstimos são frequentes e surgem acompanhadas da presença de jovens, que gesticulam, abordam os passantes, convidando-os a entrar. Em pé, os jovens utilizam-se das palavras para seduzir os transeuntes, acompanhando-os e distribuindo flyers. Outra figura característica dessa parte da avenida são os homens trajados em amarelo, anunciando a compra e troca de ouro. São homens idosos, sentados em tamboretes, que nada falam, apenas se expõem como tabuletas. Tabuletas amarelas.

Da Rua 3 até a Av. Anhanguera e dessa até a Rua 4, encontra-se a terceira faixa da avenida, a mais dinâmica. Esse trecho importante tem como centralidade a Praça do Bandeirante, localizada no cruzamento da Av. Goiás com a Av. Anhanguera, que abriga um aglomerado de instituições financeiras, sendo cruzamento dos dois grandes eixos de transporte na metrópole. Nessa praça, que não é uma praça, concentram-se e dispersam-se fluxos que acarretam usos e apropriações diversificados no setor Central de Goiânia. Se tivéssemos de escolher o verdadeiro core da cidade, ele seria ali.

Nesse trecho, com significativa aglomeração de pessoas, encontra-se um maior número de bancas de lanches e jornais, assim como uma grande variedade e quantidade de vendedores ambulantes, que oferecem mercadorias variadas — frutas, doces, livros usados, bijuterias de hippies, picolés, mapas de Goiânia e de Goiás, chips para celulares, óculos pirateados, correntes reluzentes. Há também a oferta de serviços, tais como a venda e troca de ouro e os préstimos dos engraxates. Esses usos informais proliferam em meio a um comércio popular, caracterizado por lojas de utilidades que vendem desde sapatos, roupas e eletrodomésticos até produtos chineses de R$1,99. Essas lojas, por vezes, têm música alta ou algum locutor convidando os passantes para conferir as promoções (Fig. 13, 14 e 15).

Fig.13, 14 e 15. Homens-tabuleta, banca de revista, loja de produtos chineses. Foto: Acervo da Pesquisa, 2012.

A dinâmica nesse trecho é constituída pelo ir e vir apressado dos transeuntes, misturado à gritaria dos vendedores, à música das lojas, à presença constante dos compradores de ouro, ao som dos carros e ônibus, ou ao apelo de alguma manifestação reivindicatória. Em meio a essa correria, reconhece-se o encontro, seja entre o vendedor e o comprador, ou entre conhecidos ou desconhecidos, ou ainda entre aqueles que param para descansar, observar ou prosear sentados nos bancos dos canteiros centrais. As sensações geradas pelo trânsito e sons da multidão misturam-se aos odores dos doces e das frutas orvalhadas em exposição nos carrinhos ambulantes. É o pequi amarelinho, o abacaxi suculento, a cocada tentadora, enfim, um mundo de cores, sabores, sons e cheiros que povoam o cotidiano daquela rua.

Da Rua 4 até a Av. Paranaíba, outra faixa da avenida, embora haja nela certo número de instituições financeiras, o comércio popular prevalece, tanto nos edifícios como nas calçadas. São camelôs de produtos variados, engraxates, quiosques de jornal e chaveiros, serviços informais, como aferição de pressão arterial e venda de artesanatos. No canteiro central, é grande o número de pessoas sentadas nos bancos à sombra das árvores. Em função desse comércio e do Camelódromo — local de comércio informal, instalado na Av. Paranaíba, resultante da retirada dos camelôs do canteiro central da Av. Goiás –, o fluxo de pessoas ainda é significativo, gerando apropriações correspondentes aos usos mencionados. Numa das calçadas laterais desse trecho da avenida, um sorridente cantor chamou nossa atenção, pois empunhava seu violão, cantava e vendia seus CDs. A rua é pública, as pessoas são livres para escutar sua música e assim o fazem. Essa ocupação espontânea propicia apropriações intermitentes que oscilam diante do artista. Esse caso se repete ao redor do homem do gato ou da cobra, do contador de casos, enfim, daqueles que fazem da rua seu meio de sobrevivência (Fig. 16 e 17).

Fig.16 e 17. Usos da Avenida Goiás. Ambulante de frutas e cantor. Foto: Acervo da Pesquisa, 2012.

A faixa compreendida entre a Av. Paranaíba e a Praça do Trabalhador, nossa última escala, apresenta uma alteração de usos e apropriações da avenida. A presença de transeuntes nas calçadas torna-se pequena, se comparada às outras faixas. Os usos de comércio e prestação de serviço têm outras características: roupas ou livros usados, conserto de câmeras fotográficas, farmácias, clínica, igreja evangélica, oficinas mecânicas, loja de material de construção são exemplos de ocupações. A característica dispersa desses usos contribui para a pouca presença de serviços informais e quiosques nas calçadas. A exceção está nas proximidades do Restaurante Cidadão, logo abaixo da Avenida Paranaíba, onde é grande o número de pessoas sentadas nos bancos dos canteiros centrais e na calçada fronteiriça ao local de refeições. Pudera: a refeição completa custa R$ 1,00.

As nuances das apropriações verificadas ao longo da avenida conferem riqueza e veracidade a sua forma. As alternâncias entre os dias da semana em contraposição aos domingos, a flutuação de transeuntes em função dos usos disponíveis, a ocupação dos comerciantes informais em oposição aos usos institucionalizados, a sazonalidade das pessoas, as cores, os cheiros, os sons, enfim, tudo isso outorga vida à matéria. Essa constatação deriva da observação cuidadosa das práticas dos espaços, enxergando a cidade relacional que existe em função das pessoas que a fazem, estendendo o reconhecimento de sua forma para o conteúdo que abriga (KOSTOF, 1992).

A cidade das pessoas

A Av. Goiás é parte da memória da gente goianiense, incluindo as nossas. Tomamos a liberdade de deixar neste texto de fechamento o nosso registro. Lembramos como a avenida de nossa infância foi palco para os desfiles cívicos do 7 de Setembro, quando a Educação Moral e Cívica era parte de nosso aprendizado escolar. Olhávamos fascinadas as fanfarras do Liceu — o colégio público para os meninos do ginásio e científico. As bandas passavam e na frente delas as balizas, que as conduziam com malabarismos a nos provocar o desejo de um dia assumir tão importante posição.

Metran de Mello (2006), em uma de suas crônicas, menciona “Maria, a louca do Palácio das Esmeralda”. Era uma mulher que vivia nas colunatas do palácio do governo e perambulava pela avenida. Crianças pequenas, nós a temíamos, imaginando ser uma espécie de Medusa que nos transformaria em estátuas de sal.

Na adolescência, aos domingos, não faltávamos à Feira Hippie em busca de brincos e alpargatas de lona ou camisetas Hering pintadas com a técnica tie die. Era sempre um momento esperado a aparição de um personagem interessante: Mauricinho. Era um rapaz performático que poderia concorrer até com certa vantagem com Elke Maravilha. Apresentava-se com roupas coloridas e extravagantes, muitas vezes pintava seu cachorrinho de cores inesperadas, pink, por exemplo. Mauricinho andava de bicicleta pela cidade. Vê-lo era sempre um acontecimento, pois suas roupas e excentricidades eram na verdade um apelo à diferença.

Anos mais tarde, quando estudantes da faculdade, saímos em campanha para as Diretas Já, muito emocionadas, vimos Brizola, Ulisses Guimarães a reclamar o direito de voto. Era o fim na ditadura militar.

No breve espaço de tempo de nossa infância à juventude, a Av. Goiás se modificou muito. A grande avenida arborizada e de prédios baixos mudou sua escala com a construção dos edifícios em altura. O calçadão substituiu os canteiros, postes pequenos de ferro fundido com globinhos de proteção para as lâmpadas deram lugar a

outros mais altos e com iluminação mais eficiente, os banquinhos foram retirados. A Avenida perdeu seu charme de bulevar e ficou mais parecida com as ruas de cidades norte-americanas. Mais gente começou a transitar pelo centro, certos usos desapareceram, dando lugar a outros.

O centro congestionou-se, apareceram os indefectíveis terrenos de estacionamento, muita gente mudou de residência, as lojas mais luxuosas fecharam suas portas. A Av. Goiás e o centro da cidade voltaram aos debates depois de muitas transformações. O discurso sobre preservação e importância do patrimônio histórico tornou-se consensual e as políticas de reabilitação das partes históricas de Goiânia apareceram nas vozes dos políticos e nas reivindicações de alguns goianienses. A Av. Goiás recuperou em parte sua imagem inicial, por meio de intervenções de desenho urbano. Mas é claro, como toda recuperação, ela é uma espécie de lembrança apagada, na verdade é outro real.

Antecedem nossas lembranças outras, de gente mais velha, e também as daqueles que nos sucederão. A Avenida Goiás se estende por um passado e um futuro que também nos pertencem. O estudo de suas mudanças ao longo do tempo só se torna verdadeiramente inteligível quando a compreendemos como suporte de vida.

Este pequeno ensaio de história e etnografia urbana aproxima-se do cotidiano da cidade e, por conseguinte, de seus moradores. A próxima etapa da pesquisa destina-se a transformar o nosso olhar acadêmico em linguagens acessíveis ao público em geral. A pesquisa foi contemplada com recursos da agência de fomento de Goiás (FAPEG), tornando possível ampliar a divulgação de seus resultados. A Av. Goiás vai migrar para uma história em quadrinhos, buscando divertir e educar crianças e adultos no site que mantemos, assim como vai originar um caderno, ou livreto, de uma coleção orientada a revelar a história da cidade para ser distribuída na rede municipal de ensino. O centro e a sua rua principal vão apresentar a história de todos na cidade que escolheram, ressaltando a importância de sua participação na construção dessa narrativa.

Referências

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Imagens do Acervo da Pesquisa (2011, 2012, 2013).

Imagens da SEPLAM (Secretaria Municipal de Planejamento).

Como Citar

Adriana Mara Vaz Oliveira; Elane Ribeiro Peixoto . Na cidade, uma rua. In: PEIXOTO, Elane Ribeiro; DERNTL, Maria Fernanda; PALAZZO, Pedro Paulo; TREVISAN, Ricardo (Orgs.) Tempos e escalas da cidade e do urbanismo: Anais do XIII Seminário de História da Cidade e do Urbanismo. Brasília, DF: Universidade Brasília- Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, 2014 . Disponível em: http://www.shcu2014.com.br/content/na-cidade-rua